Sinto-me escrava das horas, parece que elas fazem pouco de mim ao relembrar-me que por mais esforço que eu deposite das distrações para me distanciar do quão lento o tempo está, o relógio não deixa de ficar cada vez mais incerto e a realizar cada movimento com a maior calma e longe da rapidez. Enquanto este episodio se repete, e tem tendencia a permanecer nessa rotina, tenho tempo suficiente para relembrar a minha vida inteira e ainda imaginar como eu gostaria que tivesse sido. Permaneço sentada, oiço os ponteiros a realizar cada um dos seus movimentos programados, parece que quanto mais atenta estou ao seu movimento e som, mais certo é o facto de que cada ponteiro girar a favor do meu desgaste emocional. Mais tempo passa, e mais longe o fim desde dia está.
Tenho tanto silencio ao meu redor que consigo ouvir a minha própria pulsação, consigo até senti-la no meu pulso que agora permanecera sob a madeira humida que mais está ao alcance. Reparo no ritmo da minha pulsação e comparo-a ao ritmo feito pelos ponteiros do importuno relógio. O meu ritmo cardíaco está muito mais avançado do que o som produzido por cada ponteiro enferrujado e vagaroso do relógio que eu descrevera antes. Parece que a minha freqüência cardíaca esta numa competição desgastante com a rotina feita pelos ponteiros que permanecem tanto tempo no mesmo sitio..Competição essa, em que os meus batimentos cardíacos se apresentam muito notavelmente avançados. Muitas vezes, nos tentamos viver ao máximo com a imprudência e medo de deixar tudo escapar, que nos esquecemos que não é o tempo que nos passa ao lado, somos nós que passamos ao lado da melhor maneira de o aproveitar. Parece que somos mentalmente perseguidos pelo tempo que cada um de nós tem, pelo tempo que até um determinado período, nos resta. Eu vivia sem pensar no desgaste do tempo, desrespeitava a natureza de tudo acontecer ao seu ritmo, Antes, gostaria que o tempo parasse e repousasse uns instantes, agora, desejo que ele avance para acabar com toda esta espera. Achava-me eu a dona do tempo, mas agora sou sua escrava.
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ResponderExcluir- Aprisionado -
ResponderExcluirEstou aprisionado num mundo limitado.
Numa realidade inquietante,
Claustrofóbico, nostálgico...
Deveras Irritado.
Cego, susurro mentiras,
Para não acordar memórias perdidas.
Assim, fujo da minha felicidade,
Aprisionado na minha triste realidade...
Escondido por alguém familiar
Que tanto tempo comigo esteve..
Por 'debaixo de um frio manto de hesitação,
Que tanto tempo me deteve.
Gasto horas a pensar no que desperdicei,
Interrogando-me o que poderia ter sido...
Não sei.
Nunca saberei.
Jamais saberão...
Estou aprisionado de chave na mão.
muito bem| adoro
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