quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Realidade disfarçada

Chega a uma altura,em que a minha visão do mundo muda completamente. Pronuncio as palavras com uma diferente intensidade, e oculto as que antes nem me passara pela cabeça esconder. Respiro um ar pesado, quase que sufoca, mas não sei se isso são as minhas cordas vocais ferrugentas com falta de uso, com tantas palavras detidas no momento de ação, presas entre elas, tornando difícil qualquer som quando o que eu quero mais, é expressar-me. Caminho no cimento humido,consigo ouvir as gotas de água a colidirem com o piso, e criarem pequenos rios que nem têm rumo, nem sentido, mas formam-se de qualquer maneira ou propósito. Sinto mesmo, que o vento já não sopra na mesma direção, que as folhas das arvores, não se movimentam com tanta prudencia como me acostumara a assistir. O céu é sempre o mesmo, quer dizer, só muda a sua composição e por vezes, a sua cor, mas ele está lá sempre,embora, goste mais de o apreciar á noite. Encanta-me ver as estrelas, gosto de imaginar que cada uma delas, são sonhos perdidos, sonhos apenas programados mentalmente mas que nunca foram feitos na prática.É interessante como o mundo está sempre em movimento, o mundo nunca pára de rodar, mas na nossa cabeça, há momentos em que o mundo pára, e por vezes, parece que caí mesmo diante de nós. E se a realidade for uma ilusão? Se o verdadeiro não é bom ou se o bonito não é aceite?
 O destino tem muita força, tudo o que tem de acontecer... Irá acontecer, afinal, o mundo dá imensas voltas...não é? As palavras têm uma força incrível, talvez não consigam mover montanhas, mas provavelmente, mudam a distância a que cada pessoa está, conseguindo uma aproximação ou uma distância criada por palavras ditas em vão, com intenções vazias.Preciso de um rumo, talvez de um mapa... Mas penso que ninguém consegue decifrar o mapa que me leva até ao meu objetivo.Há aqueles momentos em que estou sob o chão, mas mesmo assim sinto que não tenho onde me apoiar, sinto-me á deriva, e talvez seja nesses momentos, que mais tenho os pés assentes na terra.