sábado, 15 de agosto de 2015

A habitual rotina

Esta é mais uma manhã igual ás outras, abro os olhos e sinto a calma que me envolve e me faz querer permanecer por de baixo dos lençóis. Dou por mim a ganhar coragem para começar um novo dia, mas nem coragem arranjo para levantar o meu corpo da cama. Os meus olhos vão-se fechando por vontade própria, mas a minha mente está bem acordada. A rotina vai-se repetindo todos os dias, sei todas as noites que quando eu acordar na manhã seguinte, ao olhar para a janela vou poder avistar os raios de sol, ou num outro caso, o dia estará escuro como se o brilho se tivesse perdido algures.
Levo as minhas duas mãos até ao meu rosto, não sei como é possível eu ter perdido tanta motivação para a vida, nem o facto de saber que existe um novo dia amanhã me deixa esperança que alguma rotina se altere. Coloco os meus pés no chão, sinto a mudança de temperatura a percorrer o meu corpo, não consigo encontrar forças para elevar o meu corpo e conseguir dar os primeiros passos deste dia. Não sei se o problema sou eu, ou os dias que são tão banais e se repetem sempre da mesma maneira que me faz ficar completamente indiferente perante eles. Faço uma leve pressão na cama com os meus dois braços ao mesmo tempo, eles tremem… como se me tivessem a dizer que não vale a pena o esforço ou então que não tenho forças para efectuar qualquer movimento com a ajuda deles, ou com qualquer outro musculo do meu corpo.
Dou o meu habitual suspiro pela manhã, e como sempre, sinto-o a juntar-se lentamente com o silêncio que neste momento está em meu redor, vai desaparecendo a sua melodia, mas ainda sinto um alivio por o ter deixado ir, como se ele fosse capaz de transportar os meus constrangimentos para longe daqui. A minha voz falha cada vez que tento pronunciar uma palavra, talvez eu tenha tanto por dizer, mas nunca arranjo maneira de o conseguir passar para alguém. Vou caminhando pela casa, os meus olhos não apresentam qualquer sinal de que esta noite foi bem passada, nem mesmo a minha cara, que parece estar mais cansada e tem um ar pesado, como se todo o peso instalado no meu corpo antes, tivesse apenas numa só área agora. Todas as manhãs, eu reflicto sobre a noite que passei anteriormente, chego á conclusão que é quando sou mais vitima dos meus próprios pensamentos e medos, é quando eles se tornam em algo tão real e sem saída, a que dão ao nome de sonhos. Sei que quando não me lembro de sonhar em alguma noite, era o sonho que se apresentava tão real que sinto como se tivesse sido parte de algum dia que já passou e nem dei importância, afinal… todos os dias têm sigo iguais, não apresento qualquer alegria ao olhar para trás e pensar ‘’mais um dia se passou, amanhã existem novas oportunidades para melhorar o anterior’’. Repete-se o mesmo todos os dias, como se algo neles tivesse programado para começar e acabar da mesma maneira.

A cerca dos desafios que a vida me apresenta várias vezes, tenho a dizer que me limito a ultrapassá-los e quando finalmente eles acabam, apenas sinto que despachei mais um peso em mim mas que brevemente irá voltar e então tudo ficará  igual, tão banal. Penso que o desafio mais difícil, é aquele que enfrento todos os dias ao começar um novo dia, porque é um desafio que sinceramente não me fascina, e cada vez que o enfrento, sei que deixei pelo caminho algo que me vai fazer falta no dia seguinte. Tenho consciência que ao abrir os olhos todos os dias, estou a abrir os olhos para uma realidade que não quero ver, ao notar num mundo que nem fui eu que escolhi ser parte dele, mas mesmo assim tenho que viver nele, ou pelo menos contribuir com a minha existência insignificante. O maior desafio de todos, é desafiar-me todos os dias a mim mesma para conseguir arranjar algo que me desperte qualquer sinal de vida, mas aí também encontro a maior decepção, que é aperceber-me que talvez seja tarde demais para um pouco de esperança em algo que já não tem onde se agarrar, algo que se limita a cair lentamente e a seguir o seu rumo todos os dias, o mesmo rumo.

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