sábado, 15 de agosto de 2015

silêncio suficiente

Limito-me a sentar-me no chão frio e húmido que tenho ao meu alcance neste momento. Existe um grande silêncio ao meu redor, consigo até ouvir a minha respiração que vai ficando mais lenta, pois todo o meu corpo vai ficando mais relaxado, mais calmo…como o ambiente em que me envolvo agora. O único som que consigo reconhecer, é do relógio que se encontra apenas a uns passos de mim, o som é repetitivo, torna-se previsível…previsível que cada um dos seus ponteiros tenham rumo, que saibam onde será o próximo passo e isso apenas mudará se assim lhes for solicitado. Os relógios marcam o avanço do tempo, ou até a mudança dele. Mas eles são discretos, só sabemos que eles estão lá se os conseguirmos avistar, ou se alguém tiver na minha posição agora…com a presença do silêncio, apenas ouvindo o silêncio, e o barulho dos seus ponteiros se misturarem lentamente com o ambiente calmo e sereno. Penso que a vida é mesmo assim, é como um relógio. Tem rumo, e apenas muda se alguém fizer por isso. Existem coisas que tão sempre presentes mas nós so damos conta quando não existe mais nada á volta em forma de distração. É o que aconteceu agora, ainda consigo ouvir os ponteiros do relógio a mudarem e eu nada posso fazer para os parar, eles tão sempre em movimento e muitas vezes nem dou conta, e tal como se diz por aí…perco a noção do tempo. Os ponteiros do relógio parecem seguir o batimento do meu coração, eu pelo menos sinto-os em sintonia. Isso faz-me pensar ainda mais que os relógios são a demonstração mais visível do que é a vida. Enquanto os batimentos do meu coração conseguirem acompanhar o movimento dos ponteiros, é sinal que ele está vivo, está presente e em completa  sintonia com o mundo . O mesmo acontece com os ponteiros, quando eles não tiverem no seu ritmo, o tempo pára, fica silêncio e tudo será mais incerto. Será isto uma mera coincidência ? O nosso coração conseguir acompanhar o movimento dos ponteiros, que nos mantêm actualizados do tempo á nossa volta? e é quando um coração pára, que o tempo irá parar também, ou então quando os que aqui restam, irão dar valor ao tempo em que estavam presentes e não deram conta, talvez não tenham silêncio suficiente dentro deles  para reparar em tal. 

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