Coloco as minhas mãos bem próximas uma da outra, é incrível
o facto de elas se encontrarem sempre geladas. Ponho o meu corpo em frente ao
espelho, êxito olhar em frente e reparar no meu reflexo actual. Num movimento
incerto, vou lentamente levantando a cabeça, de maneira a que os meus olhos
avistem a minha imagem presente no espelho. Aconteceu o que eu mais temia, era
disto que tinha medo, de olhar em frente e reparar que o meu reflexo já nem é o
mesmo. Cada vez que caminho, parece que automaticamente vou contando os passos dados,
pois sei que o ultimo aproxima-se rapidamente ,e reparo que á medida em que o
numero de movimentos realizados por eles vai aumentado, menos certezas tenho de
que rumo devo tomar e questiono-me se valerá a pena qualquer esforço meu para
me movimentar, seja para que sitio for , porque não me sinto pertencente a mais
lado nenhum. Já não sei onde pertenço, não sei mais quem sou ou quem eu desejo
ser. Sinto-me perdida e presa num pesadelo real que mesmo que eu queira
acordar, sei que é impossível pois apesar de eu não ter escolhido viver desta
maneira, vivo-me obrigada a tal e a receber as consequências de atos que nem
são da minha autoria. É como eu me sentir sozinha e ao mesmo tempo reparar em
tanta presença á minha volta, mas sinceramente, não me preenchem o vazio que
sinto no momento, e eu sei que qualquer coisa que eu obtenha no momento, me irá
escapar por entre os dedos mais rápido do que o vento a percorrer o meu corpo
nas noites mais frias, onde me sinto calma, mas ao mesmo tempo tenho uma
espécie de guerra dentro de mim. Preciso de encontrar o meu caminho de volta
para onde pertenço, mas enquanto isso não acontece, vou-me limitando a rejeitar
as rotinas presentes na minha vida, vou inspirar bem o ar na intenção de ele
sair e levar com ele tudo o que me impede de caminhar para onde me sinto segura.
O mundo precisa de tanto, e já nada tenho, sinto-me a navegar num completo mar
de inseguranças e o pior é que nem me movimento através de um barco, mas sim
pelo meu corpo e os movimentos dele, que já não são nada para além de incertos.
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